sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Corrompido Indgado

Nada como seguir o instinto... Hoje, feriadão, eu podia até ficar em casa de papo pro ar, mas resolvi sair e ver gente. É, tem dia que eu quero ver gente, sem marcar nada, sair e trombar com algum conhecido qualquer para falar sobre qualquer coisa... E aqui em Santos tem essa facilidade. Se você quer encontrar alguém conhecido, você sabe aonde ir. Eis que antes de sair de casa, toca o telefone e meu amigo Dodói me chama para tomar um choppinho lá no Último Gole com o Nilceu e a Bete, velhos e grandes amigos de Faculdade. Beleza, perfeito, queria ver gente e já tenho até encontro marcado... tomei treiszinhos e estava pagando a conta para ir encontrar a família na praia quando passa outro amigo que estava indo para o mesmo lugar que eu ... e aí que começa a história propriamente dita...
Como eu, ele havia trabalhado de manhã, mesmo sendo feriado, e ia encontrar a família na praia. Caminhávamos pela beira d’água enaltecendo a beleza das mulheres brasileiras e do privilégio de morarmos e trabalharmos em uma terra abençoada onde nascemos e vivemos com nossa família e amigos quando ele de repente se transformou, ficou louco da vida lembrando da grana que tinha que dar por fora para desembaraçar praticamente todos os despachos para navios. Ele é despachante aduaneiro e embarca mercadorias e fornece produtos para os navios diariamente... e paga rigorosamente todos os impostos exigidos... e paga religiosamente o “por fora” para a coisa andar, em média R$ 50,00 para cada R$ 500,00 que recebe... esta é a tabela da propina. Propina não, “empurrãozinho”, porque se não os funcionários da Receita Federal começam a criar dificuldades e a atrasar o desembaraço... é isso aí... a gente paga imposto pra burro, ou melhor, que nem uns burros, sustenta o salário dessa gente toda que tem férias, 13º e aposentadoria integral e mesmo pagando tudo direitinho, ainda tem que dar um por fora para os cretinos apenas fazerem o trabalho para o qual recebem... É revoltante... mas se ele não faz isso, a coisa não anda e ainda vem outro e leva o dele... o pior é que isto ocorre em todas as esferas públicas. Exemplos atrás de exemplos.... e claro, quem está dentro não fala nada para não perder a boquinha, o máximo que dizem é: “não tem jeito mesmo”.
Tenho outro amigo, que por sinal não é nenhum santo, que descolou uma boquinha para trabalhar no departamento de obras da prefeitura... ele me disse:
Marcão, aquilo lá é um nojo... é todo mundo mordendo na cara dura... fico até com vergonha... logo eu... Um monte de gente, funcionário sobrando, mal tem espaço para se ficar em pé, e não fazem nada, só se alvoroçam quando aparece alguma coisinha extra...”
É isso aí, nós otários ralando para ser honestos sustentando uma máquina podre e os ratos nojentos, bandidos travestidos de funcionários públicos, canalhas da lei, se engalfinhando sem o mínimo de pudor por migalhas e propinas... ah se Deus realmente é justo, vão apodrecer doentes por aqui mesmo antes de alcançarem o inferno... Saravá...

2 comentários:

Mines disse...

Oi Marcão!
Chocante declaração, hein... e a gente pensa que a coisa ta melhorando, ou pelo menos tem esperança.
Olha, quando leio essas coisas, apesar da enorme saudade, acho que é melhor ir ficando por aqui mesmo...
Abraços
Ines

Marcão disse...

É Ines, tem umas coisas por aqui que não mudam... mas não podemos desistir...