terça-feira, 22 de janeiro de 2008

HILARIEDADES QUE EU VIVI NO BAGRE

Texto de Carlos Eduardo Mesquita, o "Mesquitinha"

Fotos de Betinho Nóbrega


Mesquitinha em 2006 como Zorro

Em 1983 na noite após o desfile teveum grande show no Heavy Metal e o Toninho Campos surpreendeu a todos passando no telão a filmagem que ele tinha feito do pessoal desfilando, foi maravilhoso ver na comissão de frente eu com um terno tipo Cauby Peixoto, sapato branco, paletó de lantejoulas emprestado pelo empresário Cabral Jr, o Ardel de Capitão Gay ( estava o próprio ), Carlão Alonso de AL Capone e Susana de Melindrosa, Passarinho e Dona Isaura, Gringo e Zezé, Rominha e Casado que iam parando o trânsito.
Robertinho Chantily foi dessa comissão desde o primeiro ano, autor do melhor hino do Bagre, outros foram feito por Xuxú do Banjo, Luigi e Giba, pelo pai do inesquecivel Tica, pena que nenhum foi gravado... Mas me lembro do Robertinho no ano em que gravei ele fazendo a chamada na rádio que era vizinha ao Shopping Miramar. Na porta do hotel estava Paulo Gracindo que estava se apresentando em Santos, os dois ficaram mais de 15 minutos num papo que me deu inveja e o grande ator adorou esse personagem, o mais puro da rua Pindorama. Outra foi com Domingos Fuschini. O nosso carnavalesco fez uma vestimenta africana maravilhosa para ele sair na frente e ele estava calçado com um tênis velho que não combinava. Esfriei o nervosismo do Domingos quando disse que arrumaria em cima da hora um par de tamancos, peguei Robertinho e o coloquei nos fundos do Tenis Clube na Pedro de Toledo, entrei pela frente fui ao vestuário roubei os tamancos e joguei pelo muro.



Segura no Bagre 1989 - Av. Conselheiro Nébias com a Praia


Luiza a Porta Bandeira trabalhava incansavelmente fazendo a minha roupa de Mestre Sala, a Bandeira com o máximo capricho e a sua própria roupa. No ano que homenageamos a TABA bloco do Boqueirão super campeão da Dorotéia, quando viramos na Embaixador vi a Conselheiro Nébias lotada para nos aplaudir, justamente ali, a esposa do Milaninho do lado de fora ofendeu a Luiza que revidou, e as duas saíram no tapa e puxões de cabelos numa briga de mulher sempre difícil de apartar que deu rasgões na roupa, na bandeira e vários arranhões.
Falando em TABA o enredo como sempre foi escrito por Paulinho Schiff que não vivenciou essa época, mas escreveu sobre tudo conforme passei para ele em todos os detalhes. Mandei imprimir e distribui uma semana antes por todo Boqueirão e bares de Santos e no dia do desfile uma mulher importante nesse bloco que eu esqueci de passar foi na saída saber quem era o tal de Schiff para encher de porrada porque entre vários nomes não tinha colocado o dela.
Jamelão chegou num fusca do seu empresário Elzo Augusto, de terno preto que era a sua roupa para shows num calor de 40º, escondido com os vidros fechados na Lincon Feliciano com Rua da Paz fugindo do banho de talco. Quando estávamos para sair fui lá buscá-lo e logo que desceu tomou talco, farinha, cola, araruta, água, mijo, etc, ficou puto e foi para o fundo do caminhão de som. Pedi ao Zinho da União que o anunciasse e entregasse uma placa com o samba enredo que o De Rossis encomendou com o Santaninha, ao receber jogou a placa fora. Depois do desfile tendo enchido a cara de chopp, steinheger numa mesa no Heins até fechar, comigo, Elzo, Maloca, Miro e Clibas Diniz pai do Vichola, queria a placa de volta. Num show no Chão de Estrelas dois meses depois quando Sivinho Doca Street foi ao camarim e disse que era da Banda voltou a pedir a placa .
Burú trouxe Neguinho da Beija Flor, Nêgo, Carlinhos de Pilares, ala de tamborim da Portela, etc, etc. Um ano conseguiu reunir as baterias da União, X9, e Brasil, eram 400 tipo uma escola do Rio. Saímos bem, pegamos a rua da praia no sentido da Ana Costa, em cima do caminhão estava o conjunto Feitiço, o falecido Babyro, Baby hoje na X9 Paulistana e muitos outros. Quando chegamos na Carlos Afonseca, Dona Terezinha esposa do Orlando Tavares estava como sempre me aguardando com um chopp e uma camiseta da Raparigas para a habitual troca. Como estava muito cansado e com sêde fui para o bar tomei mais uns cinco e fui pela Carlos Afonseca aguardar a Banda na esquina com Galeão, quando me aparece o caminhão de som vazio, mudo e só com Lino tocando tumbadora e o povo vaiando. Na praça Independência houve uma briga entre os componentes de cada escola e desfile acabou ali bem lugar principal.
Alice de Carli tinha acabado de ser eleita Miss Bumbum saindo nas capas de revistas, conseguimos com o Rony que era modelo trazê-la. Muito bacana se trocou no Clube XV subiu no caminhão e foi o maior sucesso, tanto que provocou ciúmes na nossa Hebe Camargo esposa de um amigo do primeiro escalão da Banda.
O ano que abafei foi fantasiado de Jack Nicholson, ao lado de um batman gordo suspendendo uma mulher maravilha e o Luciano Silva de Pinguim , ele que sempre saía de Boneco correndo pra Galera. Muitos personagens tipo o Hulk que foi o maior sucesso, eu contratava em S.P com o meu grande amigo Chiquinho Rodrigues que foi empresário do Piolim. Não posso me esquecer do anão do orçamento, deputado João Alves, era um anão que eu nunca vi sósia tão perfeita. Chiquinho me previniu " anão não aguenta andar um percurso tão grande "... Na hora o Zé Faleiros, sempre pão duro, com mêdo de arranhar o Jipe falhou com a gente, e eu consegui um bugue de um cara da Vahia de Abreu, quando iniciou e eu escutei o grito do anão, olhei e o pessoal dessa rua estava jogando passa-passa arremessando o anão. Esse filha da puta do anão cantou a empregada da Luiza que ia junto levando água, sanduíche, leite de rosas, whisky, gêlo e a levou, depois do desfile para um motel sem avisar ninguém... fiquei eu e o Chiquinho, até 1 da madrugada procurando e como nessa noite teve show da Xuxa com palco no canal três em frente do Paulistânia conseguimos que o apresentador desse o anuncio: “se alguém achar um anão perdido por favor traga-o para atraz do palco”.

Tião Macalé e Betinho Nóbrega

Tião Macalé era humorista fazendo sucesso na Globo, negão risonho sem um dente ou mais na frente usando o chavão NOJENTA ! Contratei sabendo que era líder da Banda Sá Ferreira, rua de Copacabana, posto seis, presidente e técnico de futebol de praia que lançou Edinho e outros craques, e que também como dizia Orlandinho de Freitas bebia HORRORES, portanto pedi ao fiel escudeiro do Bagre Betinho Nóbrega que estava no Rio que o apanhasse no apartamento e o despachasse pelo Santos Dumont já que o Beto é despachante aduaneiro juramentado. Pois bem, não é que o levou para um hotel em Ipanema na Vieira Souto onde Nobregão estava sediado e organizando mais um Campeonato de Duplas de Voley Internacional, e no apê tinha um frigobar direto à todas destilarias e choperias. O Negão chegou, mas travado. Na armação o Alamir levou à ele que era torcedor símbolo do Fluminense, o seu maior ídolo do passado, Samarone, da linha campeão brasileiro, Cafuringa, Didi ( santista ), Flávio, Samarone ( santista ) e Lula. O Negão chorou copiosamente e como ficou desidratado, bebeu mais ainda. Ele saiu num segundo caminhão ao lado do Plínio Marcos, o homenageado, segurando uma garrafa de Old Height. À noite , eu fui apanhá-lo no hotel Indaiá e levá-lo para o Baile do Ilha Porchat. No dia seguinte ele se esbaldou na Dorotéia, na hora de ir embora disse: “eu nunca vi um PRÉ CARNAVAL COMO ESSE !
Chorão, que depois de famoso foi homenageado, desfilou numa comissão de frente com skatistas da Praça Palmares que ele arrumou. Um ano depois a frente foi com 40 moleques de bike , me lembro dele, do Meninha, do Fred. Quem liderou foi o Eder que se tornou Marca do Bagre. Um ano na União que o enredo era circo coloquei ele fantasiado pelo Carioquinha e foi o maior sucesso
EMOÇÔES EU TAMBÉM VIVI
Serginho Chulapa sempre foi nosso amigo... Um ano no apogeu depois de ter sido campeão paulista e vice brasileiro pelo Santos, gravou na rádio do Sinésio, aquela vizinha ao Miramar, a chamada do Bagre, era o ano que a União foi campeã e eu mandei um ônibus buscar a ala da Camisa Verde chefiada pelo Basílio, que veio completa. O Bagre era UNIÃO, tinha a ala do Olímpia com Claudinho Pelé, Lula, Pudim, Pintinha e os outros quatrocentos na ala da Patrícia/Paulinho, inclusive eu escoltado pelo Zé Maria e Adelino Rodrigues. O Chulapa que saiu de destaque com o Bechir bolou uma frase NÃO ADIANTA NADA, É UNIÃO, mandei fazer uma faixa e coloquei na varanda do apartamento da minha mãe naqueles prédios do Parque Balneário que era o camarote da Brahma para o carnaval santista, uma semana antes desfilou o Bagre e lá estava como todos os anos minha mãe, com Dona Cida mãe do Nuno o homenageado, Tia Zefinha e Mafalda com as bandeirinhas do Bagre e União.


Nuno Leal Maia recebendo a homenagem de Mesquitinha







Eu vi o Paraná do Mate em cima do caminhão sendo homenageado, ele que nos criou na Praia com os seus conceitos e palavrões.
Mas, o que mais me tocou foi em Campos de Jordão um casal com filhos pequenos me chamar na mesa de um bar e me beijar dizendo " nos conhecemos no Segura no Bagre”, e um rapaz que me procurou porque ia se casar no Recife e tinha conhecido a noiva na Banda e que precisava levar uma camiseta, pela primeira vez eu tinha guardado uma , pois sempre confiava na coleção do Patola, liguei para o Maresia autorizando a entrega.

Um comentário:

murilol disse...

Uma das maiores emoções da minha vida, como músico, foi fazer parte dos puxadores do Segura no Bagre. Simplesmente, comigo no caminhão, Zinho do Tempero´s, Zinho do Cavaco e Neguinho da Beija Flor. Não preciso dizer que procurei ficar a maior parte do tempo calado, né....
Mas o momento em que o caminhão, virou da Conselheiro Nébias para praia, ficará marcado na minha memória para sempre, como uma das maiores emoções em toda minha carreira musical. Eu ainda, naquele exato momento, aproveitando-me da minha veia rockeira e do enorme talento daqueles que estavam ao meu lado (isso tudo para não falar "já que eu não ia cantar nada mesmo"), chamei a galera que vinha atrás do caminhão para levantar as mãos em palmas, o que foi prontamente atendido. Sem palavras!!!!!!! Impagável!!!!!!
Vida longa ao Segura no Bagre. Juizo ao Lino. Mesquitinha deveria ser homenageado uns 10 anos seguidos para valer uma...
Sábado estarei lá.
Beijos.
(vou copiar para o texto anterior)