terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Segura no Bagre Apresenta: "Mesquitinha e Pindorama: Um Longo Caso de Amor"

Texto de Paulo Schiff / Gravura de Zé Fernando Soró

A Wikipedia explica que Pindorama em tupi-guarani é pindó-rama ou pindó-retama. Significa "terra/ lugar/região das palmeiras"). É o nome que se dava, antes de Cabral, às terras que constituem o Brasil. Se os índios ainda apitassem, Pindorama seria o nome do Brasil.
Conclusão evidente: não tem rua com nome mais brasileiro que a Pindorama
Carnaval é uma festa celebrada desde a Antiguidade. Mas era outro Carnaval Reunir numa festa só samba, percussão, cavaquinho e biquínis minúsculos e brilhantes em mulheres exuberantes e resplandescentes, tudo regado a cerveja, é façanha tropical. Idéia luminosa. Genuinamente brasileira. O espírito brincalhão e irreverente funciona como DNA. Ninguém tem como colocar em dúvida a nacionalidade do verdadeiro Carnaval.
Conclusão: nada mais brasileiro que o Segura no Bagre, desde o samba até a irreverência, passando por todos os outros requisitos do legítimo espírito de Carnaval, a mais brasileira de todas as festas.
Aí entre o Mesquitinha. Apaixonado pela Pindorama. Apaixonado pelo futebol. Boêmio, ou seja, apaixonado pela madrugada. Folião. A tradução exata de folião é “pessoa apaixonada pelo Carnaval”. E a tradução exata de Mesquitinha é paíxão.
Conclusão: não dá para ser mais brasileiro que o Mesquitinha e suas paixões.
A identidade é absoluta: Pindorama, Mesquitinha, Segura no Bagre. O lugar, o personagem, a banda.
Não precisa nem lembrar de todas as barcas pilotadas pelo Mesquitinha para qualquer lugar do mundo, desde Carnaval na Bahia até Copa do Mundo em terras não-pindorâmicas. O ponto de partida e o ponto de chegada são sempre na Pindorama. O aniversário do Mesquitinha é celebrado em dezembro. Sempre na Pindorama. Aniversário democrático, brasileiro, na rua, compartilhado com quem quer que seja, desde que entre no espírito da coisa.
No Segura no Bagre, o Mesquitinha já foi Cauby Peixoto, Jack Nicholson, mestre-sala ao lado da porta-bandeira Luiza Patinha... Esteve na articulação da participação de tudo quanto é tipo de homenageado: do Jamelão ao Plínio Marcos, do Chorão à Miss Bum Bum Alice de Carli e ao Paraná do Mate. Participou de momentos que vão ser lembrados com saudade para sempre, de trapalhadas que ainda hoje provocam gargalhadas e de brigas que muita gente prefere esquecer... Sempre com tesão, criatividade, capacidade de surpreender e de encantar. Sempre com paixão.
Neste ano, é muito natural que o Segura no Bagre celebre esse longo caso de amor, essa paíxão, essa identidade toda entre o Mesquitinha e a Pindorama. De maneira democrática. Irreverente, brincalhona. Você que lê está convidada(o). Para participar, só tem uma condição: precisa entrar no espírito da coisa

Um comentário:

Murilo Lima disse...

Uma das maiores emoções da minha vida, como músico, foi fazer parte dos puxadores do Segura no Bagre. Simplesmente, comigo no caminhão, Zinho do Tempero´s, Zinho do Cavaco e Neguinho da Beija Flor. Não preciso dizer que procurei ficar a maior parte do tempo calado, né....
Mas o momento em que o caminhão, virou da Conselheiro Nébias para praia, ficará marcado na minha memória para sempre, como uma das maiores emoções em toda minha carreira musical. Eu ainda, naquele exato momento, aproveitando-me da minha veia rockeira e do enorme talento daqueles que estavam ao meu lado (isso tudo para não falar "já que eu não ia cantar nada mesmo"), chamei a galera que vinha atrás do caminhão para levantar as mãos em palmas, o que foi prontamente atendido. Sem palavras!!!!!!! Impagável!!!!!!
Vida longa ao Segura no Bagre. Juizo ao Lino. Mesquitinha deveria ser homenageado uns 10 anos seguidos para valer uma...
Sábado estarei lá.
Beijos.
(copiado do comentário ao próximo texto)